Os anos 60 e 70 em nosso país foram de transformações, turbulência e acima de tudo truculentos, principalmente pelos aparelhos do estado, que nesta época estavam nas mãos fortes e duras do nosso exercito.
Muitas prisões ocorreram que na maioria das vezes eram usadas práticas de torturas para que os prisioneiros confessassem um crime, delatassem um companheiro ou até mesmo alguma conspiração contra o governo, algumas resultaram em mortes, outras em seqüelas físicas e mentais. Exílio forçado, expulsão de seu país e até mesmo fuga nas escuras também foram conseqüência desta mão forte da ditadura da época. Criou-se uma geração de sem pátria.
Todos estes fatos causaram feridas profundas, tanto nos personagens que sofreram com os crimes do estado, como para nossa sociedade, que foi cerceada de liberdade e a nação que teve um atraso significativo de valores intelectuais e democráticos.
Prestes há completar 30 anos, a lei da anistia, que trouxe de volta de os filhos do expulsos de sua pátria, os direitos políticos de milhares de pessoas e o inicio da reabertura política democrática brasileira, hoje é motivo de debate e reflexão e não de comemoração. A nossa anistia foi total, até de mais, inocentou inclusive os assassinos, bandidos e torturadores da ditadura militar.
Neste tempo todo, a sociedade brasileira preferiu colocar um curativo nas tremendas feridas que o regime da época impôs a todos os homens e mulheres que foram presos, torturados, expulsos do país e até mortos. Uma forma covarde ou cínica de tratar um crime contra a Humanidade, conforme a interpretação da ONU, que é a tortura.
É muita hipocrisia falar, que já foi feito, esta feito, não podemos aceitar passivamente. É por causa desta atitude é que nossas delegacias estão cheias de torturadores do estado (policiais), em nossa sociedade a um sentimento de impunidade. A anistia dos torturadores deixou mais que apenas marcas em sua vitimas, no nosso cotidiano nos faz pensar que o estado, os seus agentes e pessoas ricas podem tudo, inclusive cometer crimes contra a Humanidade.
Como queremos construir uma sociedade mais justa igualitária e democrática se deixamos passar sem problemas pela historia os algozes de um tempo. Mas vale a pena lembrar que os primeiros que devem ser trazidos para esse julgamento público não são os soldados ou os comandados que torturaram, mas sim os mandantes, os comandantes, estes sim, são com certeza os maiores responsáveis pelas atrocidades a uma geração inteira de nossa nação.
A Coragem vem do coração
Há 13 anos