terça-feira, 14 de outubro de 2008

Cultura de paz. Legal. O que é isso?

Este século vinte um o debate sobre a violência é intenso, suas causas, seus efeitos, suas evoluções, suas soluções seus aspectos em geral, os culpados. Nunca a mídia, a classe media a sociedade civil em geral discutiram a segurança como a atualidade. Até parece que é um fato novo, deste século e sem precedentes, algo que nasceu recentemente e atinge a moral, os bons costumes e sobrevivência da família brasileira de bem.

Esquecemos dos anos 60 e 70 da violência da ditadura, das guerrilhas urbanas e dos morros e favelas do rio que cada vez mais nesta época cresciam e tornavam-se bolsões de pobrezas e exclusão, os grandes assaltantes já se refugiavam com a cumplicidade dos moradores que eram recompensados com mercadorias roubadas doadas a eles já que para muitos era a única forma de ter algo para comer no isolamento das favelas. Na própria Revista Veja de 1980 já estampava capas com fotos de casas totalmente gradeadas e dizem que os cidadãos estavam presos nelas. Em Fortaleza, no bairro do pirambu, grupos de policiais matavam jovens, geralmente ligados à criminalidade, mas também apenas por rixas pessoais, sem causar furor na sociedade e na mídia.
Em São Paulo e novamente no Rio chacinas de jovens moradores de favelas se tornam comuns muitas, vezes sem nenhum antecedente criminal, a repercussão foi um pouco maior já que instituições internacionais de direitos humanos se preocuparam com o caso. Quando morei em Novo Hamburgo no Rio Grande do Sul em 1992, os taxistas tinham cabines de proteção para separa o motorista dos passageiros já no intuito de prevenir assaltos. Assaltos à mão armada nesta época já eram comuns.

Já no Recife que visitei 1996 jovens de 14 ou 15 anos andavam armados e o consumo das drogas era feitos no meio das ruas da periferia livremente. E em Fortaleza nas saídas dos bailes funks arrastões nas madrugadas, gangues nas escolas publicas e nos bairros da periferia. Nas mercearias das periferias, grades para se protegerem dos ladrões. Nesta época os jovens já eram as maiores vitimas das armas.

E é só agora, depois de tudo isso que já passou e os sinais não foram poucos, a sociedade questiona a violência, mas o que tem de igual esta violência de hoje com das décadas atrás é somente a própria violência, mas as pessoas, os bairros, as classe sociais são outras, eram as favelas do Rio, São Paulo, Fortaleza, Recife ou trabalhadores simples jovens pobres, negros que sofriam esta violência e ninguém se mobilizava, até tinha um ar de espanto e credulidade, mas era até normal os comentários, - se foi assassinado é por que fez alguma coisa de errado, ou - porque mora na favela?

Talvez seja esta cultura de paz que queremos a que não chegue à violência perto de nós, talvez nas favelas nos bairros periféricos de preferência longes de nossas casas e que os nossos empregados não se “envolvam” com ela, a violência, assim não nos incomodam os nossos lindos dias e podemos viver alegremente nossa diferença social, pobres e miseráveis lá do outro lado, na exclusão total, e nós em nossos apartamentos e casarões a beira mar e vivermos novamente despreocupados com os problemas dos outros que acabam nos atingindo.

Dá muito trabalho nos tocar que essa violência existe e que temos de fazer algo para diminuirmos esta exclusão e que o problema não é de quem vive nas favelas e do governo que deixou existi-las. E sim da nossa cegueira sobre os problemas. É Essa é a cultura de paz que queremos?

2 comentários:

Alexandre Grecco disse...

Cultura de paz ou desculpa pra fumar maconha nas ONG's?

Cara, é isso mesmo, a violência não é de hoje, mas não se soluciona só com paz. Temos que mudar certos habitos econômicos e culturais.

Alexandre Grecco disse...

Enfim, só se muda é com novos habitos econômicos e socio-culturais.
Senão continua essa cultura de paz que serve como desculpa pra galera fumar maconha!